Andava lentamente por uma rua mal iluminada, suja e mal cheirosa, sem dar atenção às pessoas paradas nas esquinas escuras, as quais fumando e vadiando, davam a impressão de não ter nada melhor pra fazer, quando um carro preto, faróis baixos, veio chegando lentamente e parou junto de si.
Ele conseguiu ver o motorista: um rapaz usando boné, bermuda vermelha e camiseta regata branca. Era um moreno grandalhão e malhado, que sem perda de tempo, desceu automaticamente o vidro da janela direita do veículo e falou sugestivamente, olhando-o bem dentro dos olhos: - Vai? Ele sacudiu a cabeça em sinal de negativa. Não desejava aquilo. Pelo menos por enquanto, não seria conveniente.
Após a recusa, o carro continuou o seu percurso, diminuindo a marcha de vez em quando para falar com pessoas que perambulavam pela rua, as quais, pela falta de claridade e pelos trajes exóticos, pareciam seres saídos de um outro mundo.
Ele continuou andando... aéreo, cabeça dolorida, um turbilhão de pensamentos tomando conta da mente. Havia se drogado a tarde inteira, por isso recusou a oferta do rapaz. Estava sem nada no “estoque”, mas restava ainda um vestígio de consciência: não queria ter uma overdose...
Rubo Medina. Professor, escreve quase que compulsivamente, mas começou publicar a partir de 2005, quando os blogs surgiram com força total, tornando assim viável a oportunidade de mostrar os seus trabalhos.